IC confirma que estudante dirigia o carro e pó era cocaína
Em entrevista coletiva, o Instituto de Criminalística (IC) confirmou que era mesmo cocaína o pó encontrado no carro onde estava a estudante Ludmila Mirelle Inácio da Silva, 27 anos. No entanto, a jovem não havia consumido o entorpecente.
A perícia assegurou, ainda, que era ela quem conduzia o veículo, onde também estava o médico Homero Rodrigues da Silva Neto, 39 anos, ferido na colisão e internado no Hospital Esperança desde então. “Nós descobrimos isso através dos fios de cabelo e das manchas de sangue encontrados no forro do carro”, explicou o gestor Instituto de Criminalística, Roberto Nunes.
De acordo com apuração da Polícia Civil, Homero da Silva Neto veio para o Recife depois de dar expediente no Hospital João Murilo, em Vitória de Santo Antão. Ele se encontrou com Ludmila num bar nos Quatro Cantos, em Olinda, onde foi comprada a garrafa de uísque encontrada no local do acidente. Depois de passar a noite juntos, o casal voltava para buscar o carro dela em Olinda quando houve a colisão.
Depois de fazer o retorno sob o viaduto do Shopping Tacaruna, ao lado da Escola de Aprendizes Marinheiros, Ludmila perdeu controle o controle do carro, que vinha a mais de 100 Km/h. O veículo subiu a calçada do Espaço Ciência e atingiu a cerca pelo lado do passageiro, acionando o airbag. Depois de acertar uma árvore de ré, o carro foi arremessado e capotou várias vezes. Enquanto o veículo girava, Ludmila - que estava sem cinto - foi jogada para o banco de trás. Através da janela, cujos vidros já tinham se quebrado, a cabeça da jovem foi cortada pelo banco de concreto do Espaço Ciência.
A perícia confirmou que Ludmila estava embriagada quando dirigia o veículo - com um índice de 2,27 gramas de álcool por litro de sangue, teor considerado altíssimo pelos peritos. A título de comparação: se uma pessoa ingerir, em uma hora, quatro doses de uísque, um exame pode revelar a presença de 0,8 gramas por litro de sangue. Os testes comprovaram que remédios encontrados dentro do carro servem para ampliar a potência sexual.
O fato de Homero da Silva Neto ter entregue o carro para que uma pessoa sem condições o dirigisse faz com que o médico possa ser indiciado pela morte da estudante - homicídio culposo, sem intenção de matar. Sete pessoas já prestaram depoimento e outras quatro ainda devem ser ouvidas, inclusive o médico. "Iremos analisar todas as circunstâncias para ver se ele é culpado ou não por esse acidente de trânsito", diz o delegado Erivaldo Guerra.
O Instituto Médico Legal não fez exames para confirmar se ele consumiu álcool e drogas. A explicação da Polícia é que, na hora do acidente, a prioridade era salvar a vida do médico, que permanece internado e sem previsão de alta.
Mesmo sem ter faltado ao trabalho no hospital em Vitória de Santo Antão, no dia do acidente, o Conselho Regional de Medicina abriu investigação para verificar se houve infração na conduta do médico. A Secretaria Estadual de Saúde também apura se Homero da Silva Neto faltava com frequência ao plantão. Se isso for confirmado, ele poderá ser afastado do serviço público.