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Mercados Públicos do Recife ganham exposição fotográfica e catálogo especial

A exposição fotográfica “Mercado em Foco: Cultura Que Dá Gosto a Gente Vê”, entra em cartaz na  Casa da Cultura Luiz Gonzaga, bairro de São José, área central da cidade da capital pernambucana. A mostra reúne um conjunto de fotografias inéditas sobre os cinco mercados públicos do Recife: Mercado de São José, Mercado da Boa Vista, Mercado da Madalena, Mercado da Encruzilhada e Mercado de Afogados. Inicialmente, a exposição será apresentada, em primeira mão,  à imprensa, na tarde do dia 05 de agosto, às 15h. Já a partir do dia 06, o público pode visitar gratuitamente. 

O projeto, realizado pela OSCIP Diálogos com incentivo do Governo do Estado, por meio dos recursos do Funcultura, ficará aberto à visitação até o fim do mês de agosto, de segunda a sábado, das 9h às 17h. A programação inclui ações de acessibilidade, como audiodescrição e libras. O acesso é gratuito. Além disso, o projeto prevê, também, o lançamento de um catálogo impresso e virtual, no qual reúne fotografias e textos com curiosidades sobre os mercados, escrito em português e inglês. Material será distribuído entre os turistas, visitantes e frequentadores de mercados, gratuitamente. 

Durante a exposição o público vai poder fazer uma imersão na história, arquitetura e curiosidades dos mercados públicos recifenses. A mostra é composta por 36 imagens, impressas em diferentes dimensões, ângulos, cores e detalhes, que foram registradas pelo fotógrafo, pardo, morador da periferia, Rodrigo Vinicius, de 31 anos. 

“Estou muito animado de poder realizar este projeto. São fotografias que trazem uma característica documental. Os mercados públicos são parte da história do nosso Recife, dos nossos encontros, passeios, diversões e celebrações. Quem vive aqui ou chega a passeio sabe bem do que estou falando. E um pouco de tudo isso vai estar na exposição.” conta o artista, formado em fotografia pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), e que há 11 anos, têm buscado documentar a cidade, a cultura e a vida cotidiana das pessoas. 

A mostra traz imagens, por exemplo do Mercado de São José, o mais antigo edifício pré-fabricado em ferro do Brasil, inaugurado em 1875 – teve sua estrutura (576 toneladas de ferro fundido, batido e laminado) elaborada em Paris e, posteriormente, trazida para o Recife (PE). O equipamento, situado em frente à Igreja Nossa Senhora da Penha, é um dos pontos centrais do pulsante e tradicional comércio de rua, desse que é um dos bairros mais antigos da cidade. 

O Mercado ocupa uma área total de 3.540 m², e sua arquitetura foi baseada em mercados construídos no século XIX, na Europa, principalmente o Mercado de Grenelle, em Paris. Em 1973, o Mercado foi reconhecido e tombado  pelo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Atualmente, é o maior centro de vendas de artesanato de Recife e de produtos e objetos das religiões afrodescendentes, folhetos de cordel, raízes e ervas para as mais variadas aplicações curativas e terapêuticas, alimentos e utensílios domésticos. 

As fotografias reunidas na exposição também vão explorar o  Mercado de Casa Amarela, na Zona Norte da cidade, inaugurado em 9 de novembro de 1930. O espaço possui 60 boxes internos, 50 externos e 11 barracas com um total de 121 cabines para comércio. Lá, também é ponto de encontro para festas, como carnaval, são joão, entre outros eventos culturais da cidade, tendo em vista que sua área externa, de dia é dedicado à parte comercial, e à noite vira palco para grandes espetáculos culturais. O projeto enfoca ainda na história  Mercado da Boa Vista,  inaugurado no fim do século XIX. Antes de ser mercado, no local já funcionou uma estrebaria, um pequeno cemitério da capela (atualmente a Igreja de Santa Cruz) e também já foi lugar de comercialização de escravos.

Na série fotográfica, há, ainda, imagens do Mercado da Madalena, equipamento de grande importância cultural, gastronômica e comercial. Inaugurado em 19 de outubro de 1925, ou seja há 97 anos, se destaca pela venda de comidas típicas (como sarapatel, mungunzá, tapioca, cuscuz com café), o serviço de barbearia e o comércio de alimentos variados: frutas, verduras, legumes, cereais, queijos, manteigas, carnes e peixes.

As imagens também retratam o Mercado da Encruzilhada.  Erguido desde 18 de outubro de 1924, dispõe de 217 boxes. Aos fins de semana, vira ponto de encontro artistas, políticos, intelectuais, turistas e a população em geral, já que dispõe de uma gastronomia regional de primeira linha e clima para boa conversa, música e compras artigos de armarinho, artesanato, frios, carnes, aves, peixes e entre outros utensílios. 

Por fim, o Mercado de Afogados, centro de compra e venda mais popular da cidade, no qual concentra-se, em sua área externa, quiosques com saborosas comidas regionais para o café da manhã, almoço e jantar. A construção do Mercado, marcada no início do século XX, promoveu o desenvolvimento comercial de toda área do entorno, proporcionando geração de emprego e desenvolvimento local. 

Inaugurado em 4 de novembro de 1934, o Mercado está situado no bairro de Afogados. A razão do nome do bairro, que no século XVII era conhecido como “Povoação do Rio dos Afogados” e, posteriormente, o nome do próprio mercado, se deve ao fato de que, nesta área, muitos indivíduos, principalmente os escravos, se afogaram ao tentar passar pelo Rio Cedros – um braço do rio Capibaribe – que durante a maré alta se tornava muito violento.

A visitação à exposição ao “Mercado em Foco: Cultura Que Dá Gosto a Gente Vê”, pode ser realizada de segunda a domingo, das 9h às 16h, na Casa da Cultura, rua Padre Floriano, bairro de São José, no Recife.

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