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Pesquisadora Valéria Vicente lança autoetnografia do frevo neste domingo, 28

Em 2022, o Frevo – Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, presente no carnaval de Pernambuco, comemora 115 anos. E, como parte desta celebração, a dançarina, coreógrafa, pesquisadora e professora de dança da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Valéria Vicente, lança o livro “Errância Passista – frevo e processo de criação em dança”. A publicação aponta a importância da renovação energética no campo pessoal e social, a partir das vivências que teve no carnaval de rua de Olinda e do Recife. Além disso, a obra reúne artigos de importantes passistas que contribuem para a cultura do frevo pernambucano. A publicação conta com incentivo da Fundarpe, Secretaria de Cultura e do Governo de Pernambuco, por meio dos recursos do Funcultura. 

Na ocasião, o público será recepcionado pela Orquestra Meia-Noite (João Pessoa-PB) e pela Orquestra Zezé Corrêa, da cidade de Aliança, na Zona da Mata Norte. Em seguida, acontece uma roda de bate-papo e de dança com a autora e convidados, que contribuíram na escrita do livro. Dentro da programação também está prevista a sessão de autógrafos. Por fim, passistas e público se somam à Orquestra GEMA (Salvador – BA) para um Encontro de Passistas em frente ao Paço do Frevo. Complementar ao lançamento do livro, esta atividade é organizada pelo projeto Frevosofia  e será gratuita, com previsão de início às 18h. Já o ingresso para acesso ao Paço do Frevo custa RS 10,00 ( Inteira) e R $5,00 (Meia), enquanto o livro contará com valor especial de lançamento de R$ 20 (pagamento em dinheiro e pix). 

A proposta do livro nasceu do resultado da pesquisa de doutorado de Valéria Vicente, em 2019, na área de Processos de Criação em Dança, apresentado no Programa de Pós-graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal da Bahia. À época, seu objeto de estudo era compreender como os saberes ligados ao carnaval das ladeiras de Olinda e nas ruas do Recife poderiam guiar um novo processo de criação em dança. “Em vez de brincar o carnaval como faço desde a infância, aquele Carnaval foi vivido como uma imersão artística e acadêmica, que me permitiu aprofundar em aspectos pouco abordados da cultura do frevo, especialmente na experiência do passista folião. Foi aí que caí na folia e passei a acompanhar o grupo de passistas foliões Brincantes das Ladeiras – que há 13 anos leva alegria e diversão ao carnaval pernambucano”, conta. 

“Muito conhecimento e reflexões teóricas foram geradas por experimentar, partir do lugar muito particular do passista folião de rua, o acrobata do frevo, afeito aos estímulos da orquestra, sensível ao calor do momento e aos ânimos da multidão, pronto para os improvisos que tornam o passo e o passista de rua imprevisíveis. Entretanto, escolhi para este livro retrabalhar os ensaios sobre o Carnaval, a revisitação da história do frevo a partir dos meus processos criativos e, por fim, a criação e os aprendizados do espetáculo Ebulição” afirmou entusiasmada.

O livro, que tem finalidade pedagógica, cultural, participativa e democrática, também serve de plataforma para que outros artistas do Passo possam publicar, pela primeira vez, suas compreensões sobre o frevo. Para isso, dez passistas de frevo pernambucanos, foram convidados para escrever e contar suas percepções, perfazendo uma linha do tempo de ideias sobre o ritmo. Entre eles estão: Landinha, a grande companheira do mestre Nascimento do Passo, cuja presença é indispensável para entender a história do frevo no final do século XX. Da mesma forma, Adriana do Frevo, homenageada do carnaval da cidade em 2018, e importante presença do passo no sítio histórico de Olinda.  Também faz parte, Gil Silva, importante difusor do frevo, na Escola Municipal de Frevo do Recife, junto com os Guerreiros do Passo, e também na cidade de Serra Talhada.

Ainda entre os convidados estão Lucélia Queiroz, a mulher por trás da já antológica Dona Lucélia, que apresenta a trajetória dos Guerreiros do Passo, com reflexões políticas muito pertinentes.  Além do casal Wilson Aguiar e Francis Souza, que apresentam o Grupo Brincantes das Ladeiras. Há, ainda, o trio de passistas Adri Popular, Amélia e Williany, que mantém o passo na região da Zona da Mata Norte de Pernambuco. Por fim, o mais velho e mais novo passista, Ferreirinha, que resolveu aprimorar a dança do frevo após os 50 anos, chegando à maestria na dança e no pensamento com o projeto Frevosofia.

Para o jornalista, produtor cultural e coordenador do projeto, Salatiel Cícero, o livro ”Errância Passista – frevo e processo de criação em dança” é uma das obras mais importantes e significativas na história do frevo na atualidade. “É uma publicação que traz muito mais que elemento histórico-cultural. É uma obra marcada pela percepção e emoção de uma artista que buscou traduzir, da forma mais singela na emoção de dançar frevo – movimento que entra na cabeça, depois toma o corpo e acaba no pé, como canta Alceu Valença em um dos seus frevos-canção”, brinca.

Sobre a autora

Valéria Vicente é professora adjunta do Departamento de Artes Cênicas da Universidade Federal da Paraíba – UFPB. Possui doutorado e mestrado em Artes Cênicas do Programa de Pós Graduação em Artes Cênicas da UFBA e graduação em Comunicação Social – Jornalismo pela Universidade Federal de Pernambuco (2003). Integra a equipe de coordenação do Acervo RecorDança. Atua como dançarina, passista e coreógrafa. Como pesquisadora de dança, dedica-se ao estudo do Frevo e mantém interface com os Estudos Culturais e decoloniais, atuando principalmente nos seguintes temas: dança, história da dança, ensino da dança, frevo, videodança, espetáculos, representações urbanas, maracatu, culturas populares, frevo, comunicação e processos criativos.

A artista é autora de outras publicações: Maracatu rural: o espetáculo como espaço social (2005), Entre a Ponta de pé e o Calcanhar (2009), Frevo para aprender e Ensinar (2015), o DVD Trançados Musculares: saúde corporal e ensino do frevo (2011) e Brincando Maracatu (2008). Fundadora do Acervo Recordança, continua contribuindo com pesquisas sobre a História da Dança de Pernambuco, bem como com seus artistas, como a Cia Etc, Coletivo Lugar Comum, Flaira Ferro e a Orquestra Zezé Correira, de Upatininga.

Sua trajetória autoral é diretamente vinculada à prática e criação com o frevo, criando e atuando nos seguintes espetáculos Fervo (2006), Pequena Subversão (2007), Frevo de Casa (2011), Reflexão (2015) e re/in-flexão (2017), Ebulição (2018), COVIDA (2020) e CHEGA! (2021). Por sua trajetória foi reconhecida pelo Paço do Frevo, passando a integrar entre os nomes dos construtores do Frevo nas paredes dessa importante instituição.

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